Tirando atrasos. Hoje volto a atualizar o blog e decido finalmente ler o Rascunho de abril, com bastante espaço para o debate “alta literatura” X “literatura de gênero”. Isso já dá conflito na definição/separação desses dois grupos.
Uma coisa engraça e preocupante que me vem à mente nesse tema é a recorrente fala do Paulo Coelho, mais ou menos isto: “o contato com o Raul me salvou de um caminho sem volta, de escrever cada vez mais difícil”. Engraçado porque nunca li nada nem um pouco difícil do PC. Mas preocupante porque eu acho que estou me enveredando pela trilha citada.
O experimentalismo tem se incorporado nos meus escritos recentes e, se não é uma produção vasta, é porque escrevo pouco mesmo. Em janeiro eu li o início de um conto (que estava escrevendo) pra um amigo e ele disse que era intelectual demais. Outro dia uma colega disse que fiz um poema que não dá vontade de ler até o fim (só porque envolve mais de 5 línguas?).
Não tenho intenção de ser ilegível, mas também não quero o messias das massas (cacofonia proposital). Aqui entra a dicotomia de Maiakovski e Pound tanto em teoria, quanto em produção literária.
O poeta russo assumidamente bolchevista (em favor das maiorias, do povo) e o poeta americano de extrema direita (atuante a favor do fascismo). O primeiro quer um verso vivo que o povo possa cantar na rua; o segundo diz que enquanto não se faz nada de genial, o que o artista pode fazer é experimentar coisas novas em favor dos que podem usá-lo (no bom sentido) como atalho e fonte.
Se tudo é política, quero me proclamar de centro com tendência direitista. Quero ser a Suíça.
A turma que eu leio e admiro em sua maioria é mesmo do lado canônico. Extremos: Joyce, Dostoievski, Pound, Eliot. Mas também gosto de autores acessíveis e (que deveriam ser) populares, como Drummond, Pessoa, Poe.
Tento escrever de tudo e de todas as formas, não esperando agradar a todos, mas por, confesso, desejo de não ficar preso a nada. Os poemas do blog são absolutamente simplistas (a meu ver, pelo menos), enquanto que a esquete é experimental e de leitura elitista. Não entenda isso na questão do gênero, eu tenho poemas difíceis e, em contrapartida, tenho começada (nunca tenho ânimo e concentração pra terminar) uma farsa (uma comédia fácil de teatro).
Pelo que se fala, poderíamos encontrar na literatura mundial os opostos numa luta como Finnegans Wake contra Crepúsculo. Não li nenhum (espero viver para ler o primeiro). Acho mais importante existir o primeiro, pelo raciocínio: havendo uma linha do meio, há as variações de elaboração para ambos os lados, sendo os leitores de um pós-doutores em literatura e artistas extremamente intelectuais e os de outro gente que assiste novela torcendo pela mocinha; acho mais importante que ampliem os limites do primeiro grupo, expandindo os limites do texto e da língua, do que inventarem algo ainda mais linear e comercial que Crepúsculo. Se o Joyce não tivesse existido, muitos ainda se aventurariam na tentativa de escrever algo como FW (e muitos tentam). Se não existisse Crepúsculo, não faria diferença, porque há milhares iguais.
Por hora ainda dizem que sou acessível a qualquer um (não em tudo, é claro), mas eu terei textos (se viver o bastante) que poucos vão conseguir ler. Mas também estejam avisados se eu escrever roteiros de jogos de computador ou séries de RPG (o que muito pretendo fazer).
Minha postura é difícil, eu sei. Academicamente eu estudo o Santiago Nazarian (escritor pop) usando Bakhtin (estudioso russo) e saio falando que Alencar e Paulo Coelho são a mesma coisa, porteiros.
O festival na verdade me foi frustrante, então não deu vontade de comentar. Faço minha breve crítica:
A primeira peça que vi foi Till, a saga de um herói torto. Uma peça da mostra, mas que estava aberta a todos lá no Barigui. A proposta da peça é a recriação de um ambiente medieval e isso eles fazem mesmo. – Não, não há orcs, lutas de espadas, nem nada disso –. A cultura de palco daquele tempo era baseada na comédia (não se deixe enganar pela televisão com seus guerreiros descamisados e fortes, lindos, inteligentíssimos e loiros), quem mandavam eram os bufões, umas caricaturas bem grotescas fazendo bizarrices para o público rir. Não vou negar que seja divertida, ou que cumpriram aquilo ao que se propuseram, mas não é uma peça muito inteligente (tem piada de peido).
A segunda Quando os demônios dizem amém. Um monólogo com alguns clichês, que tenta criar uma atmosfera meio sombria, meio superdramática. Não consegue. As crianças parecem ter gostado, um adulto crítico, eu duvido, e os pais, não sei... Muito palavrão e insinuação pornográfica, totalmente malempregados. Eles não conseguiram deixar a peça pesada (imagética e atmosfericamente, como sinônimo de densa) a ponto de ser relevante, mas é pesada (lenta, obesa) no sentido de que contraria as propostas de agilidade e leveza.
A terceira A vida como ela é. Nelson Rodrigues tem um texto muito interessante. Mas como no teatro o texto não é tudo, ficam os parabéns pra equipe que encenou. Aliás, a peça é um grupo de teatro tentando montar uma apresentação do Nelson Rodrigues, cheia de tragédias e sensualidade, como o autor gostava. A melhor peça que eu vi no Festival desse ano.
ANGST foi uma decepção, barata pelo menos.Sem texto, um rapazinho magrinho se contorcendo numa sala sem cenário e regurgitando leite. A ideia era uma peça experimental, um ator tentando passar expressar angústia corporalmente. Não senti clima ou nada que ele intentasse. Apenas a sala que estava quente e era desconfortável.
As três irmãs de carne também não recomendaria. As tais irmãs não tem uma história própria, só um prefaciozinho, de onde elas saem para contar uma historinha. Ficou um espetáculo de uma história e meia, o que deixou duvidoso o resultado. Se se vai trabalhar mais de uma história, que se organize como um conjunto de histórias. 1,5 não é número de se sair apresentando.
De como fiquei brutaflor achei desempolgante. Algumas moças adoraram. Fico com a impressão de que a peça é realmente feminina em excesso. Do tipo “de mulheres para mulheres”. São duas atrizes, não personagens. Elas vivem a situação de um fim de relacionamento, com um pouco de “humor-pra-não-chorar”, e vão atravessando e superando alguns estágios.
(você) foi apenas uma leitura, não foi encenada. Promete muito.Um texto bem crítico, uma situação entre o absurdo e a crônica. É um sujeito em frente à TV, e ele não sai de lá por nada. Sua vida dá-se ao redor disso, seus relacionamentos, ou a falta deles, suas preocupações, enfim, tudo que importa e não importa está relacionado à TV. Então ele e as vozes de sua cabeça tentam entender isso.
Antes do fim, outra leitura, consegue criar um clima realmente tenso, ou seja, ótimo para quem adorou ler Angústia e coisas semelhantes. Eles encenarão, no final do ano, no Novelas Curitibanas. Se você gosta de coisas bonitinhas, desaconselho, tinha gente chorando e outras pessoas saíram deprimidas. Se, no entanto, você concorda que a arte não foi feita pra ser só Yeah yeah yeah, mesmo sem se preocupar com os problemas internos de uma grande família, vale a pena ir observar a construção da atmosfera que teve tanto efeito.
MacBeth foi boa com ressalvas. Não gostei do figurino. Usar ternos e lutar com espadas fica esquisito. Também o cenário me pareceu bem pobre. Umas mesas, nas quais os atores subiam o tempo inteiro. Os atores encheram o teatro de fãs, fãs que não suportavam mais ficar tanto tempo lá. Poderia ter sido bem melhor.
O Festiva em si é que mais desiludiu. Lugares muito ruins para peças e péssimo o guia. As resenhas não dizem o que realmente é necessário, o mapa parece um antimapa, servindo só pra você se perder, cheio de coisas que não existem e sem tantas que existem. E o público horrível que não sabe se comportar num teatro.
A existência de uma minipiada faz as pessoas darem altas gargalhadas pra provar que entenderam. Mas é pior quando não são piadas. As palavras relacionadas a sexo provocam nos colegiais imensa necessidade de rir. E isso é um fato curioso do liberalismo sexual: mesmo que eles transem desde os 12, ou 13, ainda não sabem se comportar diante do tema sexualidade. Mas toleremos, como diria aquele outro cabeludo, eles não sabem o que fazem. O pior é a elite da cidade, frequentando o Guaira, com o celular ligado, fazendo piada no meio da peça e sem calar a boca um segundo, dizendo que a peça é longa e chata.
Nem posso dizer: vão assistir um filme americano. Se só fosse ao teatro o público certo, todos faliriam ou teriam que viver com subsídio do governo (acho que já vi isso em algum lugar...).
Esse é o mês do Festival de Curitiba, se você estiver por aqui, tente ver alguma coisa.
A Mostra (normalmente, as peças mais caras e famosas, nos lugares maiores, selecionados por uma equipe do festival) está interessante, mas só vou ver mesmo Macbeth; gosto de Shakespeare no Teatro Guaíra.
O Fringe (uma mostra aberta) não fica atrás e é onde eu pretendo gastar mais (embora não tanto quanto gostaria), além de ver algumas peças gratuitas.
Há algumas peças que já vi e recomendo, principalmente as do Novelas Curitibanas do ano passado, Kafka – Escrever é um sonho mais profundo do que a morte; Manson Superstar; O inventário de Nada Benjamim. Fora essas, o Werther eu também gostei.
Werther é realmente baseado na obra de Goethe, não tenho muito o que falar além de que ficou interessante (só lembre que a peça é uma leitura e nunca vai ser como o romance).
E as do Novelas:
Manson Superstar conta a história de Charles Manson, que liderou uns assassinatos nos EUA. É interessante, uma peça em inglês, com legendas, com cenas de violência e nudez.
Kafka mistura autor e obras, conta-se de uma noite em que Frans é ainda criança e tem que sobreviver à tirania do pai e ao facílimo início de século de XX para uma família judaica.
O inventário de Nada Benjamim eu já comentei aqui (olha lá no arquivo). Peça do grupo Obragem, que trabalha corpo e palavra para chegar a um resultado bem interessante.
É provavelmente sua última chance de ver essas peças, então aproveite. O mais que eu for vendo comento aqui. Até...
Perder o ritmo é complicado. Até tive várias ideias pro blog nessas férias, mas qualquer dificuldadezinha me desanimava. É complicado não ter estímulos, não ter resultados. Viver movido a sonhos requer uma alma maior que a minha.
Também me pergunto constantemente o que devo e o que não devo postar aqui. O blog não é estritamente literário, ou seja, não é só de textos artísticos. O blog é pessoal, voltado para minha literatura. Então deveria entrar um texto de vez em quando e frequentemente minhas referências artísticas (filmes, livros, músicas).
A teoria literária contemporânea não liga mais pra vida do autor (embora essa tradição resista ainda). Mas seja como teórico (sim, diferente dos acadêmicos normais, eu gosto de inventar minhas teorias, não apenas copiar), seja como autor, acredito que certos fatos são importantes, só ainda não defini quais são esses fatos, qual sua natureza.
Um deles é seu relacionamento com seres humanos. O Byron era um pervertido e isso explica Dom Juan, não é disso que estou falando. Nessas férias não aconteceu muita coisa, claro que houve novas experiências, mas não interessam aqui. O caso é que o Japa fez a melhor leitura da minha obra que alguém já fez, ou, pelo menos, o melhor comentário. Não lembro as palavras exatas dele, mas em resumo disse que sou perturbado e que minha literatura é atravessada de pessimismo e crueldade, não tendo nenhum final feliz, mas sim incontáveis inconclusões. Ele chegou mesmo a apontar questionamentos filosóficos que eu fiz, foi uma conversa muito boa. Ele é um grande leitor, já lia montes de livros quando eu estava só no gibi e fez mesmo uma leitura única.
A questão da pluralidade de leituras é legal, mas é complexa demais. Se você entende, não preciso explicar. Se você não entende, não adianta eu explicar aqui. Se você poderia entender, seria necessário um artigo enorme, fique só com o conceito: a interpretação é produzida pela reunião de vários fatores: o contexto, os conhecimentos de mundo, até seu estado físico e emocional, entre outras coisas. Sendo assim, toda leitura é única. Quando especifiquei enfocando anteriormente, estava partindo da premissa de que algumas leituras convergem, por exemplo, por grupos, enquanto algumas são realmente mais raras. Meus colegas podem fazer suas leituras parecidas, mas um sujeito que foi meu melhor amigo tem seu diferencial.
Talvez um dia eu escreva artigos pra colocar aqui. Tenho ideias. Muitas ideias. Mas minha alma é tão pequena...
Tudo isso não é sem propósito. Não se discursa sem intenção, não se faz nada sem intenção. Uma introdução espalhafatosa e melodramática pra dizer que preciso de um leitor. Todo escritor precisa de um leitor.
Não na questão funcional e comercial: autor/produtor – livro – leitor/consumidor. O escritor precisa de um leitor de originais. De alguém que dê retorno. Alguém que quando você morrer deprimido pedindo que tudo que escreveu seja queimado, se negue e ainda faça uma publicação póstuma. Claro que nem todo mundo merece isto, mas a questão do retorno é necessária. Há pessoas que gostam de ler minhas coisas (se não são sinceros, merecem mesmo ter o saco enchido), mas mesmo eles correspondem às minhas expectativas de retorno. Não pense que é questão de elogios, mas de críticas também, de opiniões embasadas.
Há, não nego, indivíduos que saem atirando poemas pela rua, pregando em postes, quadros de avisos e se contentam em serem lidos. Eu não faço questão de ser lido, tenho ciúmes de tudo que faço e abro em raras ocasiões, quero mais é um comentário, uma indicação de que estou indo pelo caminho certo ou o contrário.
Ou isso é só frescura momentânea porque me sinto só.
Volta para casa nas férias. É uma odisseia e por coincidência vim lendo Ulisses (ainda não terminei), foi tedioso e levou o dia inteiro. Aqui sem joguinhos de computador pelo menos escrevo mais, aliás, fiquem com o início de um texto que comecei hoje:
Odisseu
Ele saca seu Ulisses do bolso e os tupiniquins se assustam. Olha o tamanho daquilo, Que medo do que não conheço e de monstros mitológicos. E logo se afastam, mas depois se acostumam com sua presença, que eles se acostumam com tudo e pelo porto ser apertado naquele lugar tem que ficar bem pertinho, soprando em sua nuca.
A guerra que ele venceu durou anos e anos, milênios, mais precisamente cinco mil novecentos e oitenta e cinco anos e cinco meses, não se sabe mais, porque só se contaram até os meses. Ergueram-se muralhas, derrubaram-se muralhas, fundaram-se cidades estratégicas, destruíram-se cidades, inventaram-se aviões e mais máquinas de guerra, mas foram os tanques que asseguraram a dominação mundial e eliminação de tantos povos e culturas substituídas por grandes corporações que financiaram a guerra. Deu-se por satisfeito, gravou seu nome no Hall da fama do Civilization, desligou o computador e dirigiu-se ao porto.
É lá um solitário conquistador do mundo esperando o embarque como um qualquer que tenha dinheiro para linhas aéreas. Olha ao seu redor e entre os monstros não vê nenhuma mitologia ou licença poética. As mudas sereias não o encantam. Achava que as sereias emanariam de seus corpos melodias encantadoras que enfeitiçariam seus olhos e tardiamente provocariam dor de cabeça, mas nada. Elas não cantam, encantam ou fazem nada, além de não serem muito bonitas e terem voz de pato.
Após uma hora sob o agrupamento tupiniquim, chega sua hora, Senhores clientes, o avião 007 já liberou o embarque, por favor, aguardem de pé e em fila meia hora até mandarmos alguém abrir a porta, depois, alinhem-se em ordem crescente de números de assentos, para o corredor manter-se em estável bloqueio, clientes Gold e Diamante podem furar a fila, mas deverão respeitar a regra de parar o corredor, velhos e demais inúteis podem vir na sequência, além de mulheres bonitas, seguidas das tolas que não tomaram anticoncepcional ou abortaram quando deviam, se você não faz parte de nenhum dos citados, venha por último, enquanto esperam na fila pensem em um nome para seu grupo, escrevam num guardanapo, e ponham-se na nossa caixa de sugestões, por hora ficamos com a sugestão de um de nossos clientes Gold, que não quis se identificar, e chamamo-lhes de Resto, obrigado por voarem conosco e lembrem-se, somos quem dá mais vantagens, desde que você seja cliente Gold ou Diamante, esperamos de coração que você não morram em nossas mãos e voltem enquanto puderem pagar. Tudo isso com voz de pato, mas finalmente o embarque de todos, menos dos que desistiram sem avisar e são chamados por mais uma hora depois da última chamada.
Lá dentro os passageiros comprimem suas malas e colocam-nas no pequeno espaço reservado, inclusive Ele, que, depois de guardar sua mala, vê cobrirem-na com outras nove, apesar de ser o espaço para três malas. Terminada a parte mais confortável da jornada, ele se põe naquele compartimento para três pessoas, que tem metade do tamanho da parte das bagagens. Depois de instalado e ter outra pessoa alojada sobre ele, vê que seu último companheiro de viagem, não querendo ser companheiro de viagem de ninguém, tenta entrar no compartimento de bagagens, segundo ele mais confortável, Já viajei aqui, tomei uns comprimidos e foi bem legal, mas as sereias repelem a ideia e o atacam com spray de pimenta, maquininhas de dar choque e vibradores, que o piloto diz Devem ser desligados durante o procedimento de decolagem, quando se apagarem os alertas, contudo, os mesmos podem ser religados e todos poderão ter uma boa viagem, aproveitando esse momento de desligação, o passageiro corre até a porta de emergência, arranca-a e salta já de entre as nuvens, provocando um inconveniente alarme e o abiogênico surgimento das máscaras de gás, que fazem todos dormirem felizes.
Ele num bacanal grego cercado de loiras gostosas. Todos bebem vinho e se entendem sem falar a mesma língua, as línguas se encontram e se comunicam por si mesmas, como mudas, apenas por movimentos enrolados e nesse debate decidem que todos devem beber mais e tirar as roupas. Uma das três loiras tem pênis, enorme, mais de um metro. Estranho. As gregas de antigamente não tinham pênis. Todos voltam a beber. Decidem pôr Ele numa rede e jogarem-no para cima repetidas vezes, então lhe jogam vinho quente sobre o corpo.
Seu companheiro de compartimento de passageiros ereto, sobre ele. Os dois se olham e sacolejam, é a aterrissagem. O companheiro mijou-se. O mais demorado do desembarque são a descompactação e a extração dos passageiros dos compartimentos, para as quais as sereias dão dicas e mostram desenhos. E o cheiro de mijo.
Tudo terminado, hora de recomeçar, mas um pouco diferente. No banheiro tenta ficar apresentável, difícil. Enquanto tenta, um homem caolho, sem dentes e de palito oferece para engraxar suas botas, Não, obrigado, mas o homem entende só Obrigado e começa a engraxar o pé esquerdo, Pronto, agora faço o direito por 50 dólares, Não quero, Então são 50 dólares o esquerdo, que o senhor tem que pagar, Você é louco, não pedi nenhum serviço, Sabe ler não? e apontou para o teto, Se quiser engraxar os sapatos por 50 dólares, responda qualquer coisa, para recusar o negócio diga Faz fiando? Cancelamento inválido após iniciado o processo, caso recuse o engraxamento do segundo pé, terá de pagar apenas pelo já feito ou pagar mais 50 % do valor pelo serviço completo, Mas eu não imaginei que as regras e preços estivessem tão altos, tão pra cima, Não tenho culpa, ninguém tem culpa da ignorância alheia, diz no meu contrato pra só ensinar na hora do pagamento, pra explicar as tarifas, Seu monstro, pegue seu dinheiro, abre a carteira, pega uma nota e atira-a ao chão e assim poderá fugir, pois faz o engraxate se atirar atrás da nota e proporcionar-lhe a trilha sonora de fuga Seu infeliz, isso é uma nota de um.
Lá fora sente-se perdido, não apenas por nunca ter estado naquela ilha-contiente, mas também por estar desinformado, tendo pego apenas o final da fala patalar da sereia e numa língua que não é a sua, The book is on the table, mas por sua sorte, após uma hora de deslocamento, recomeça a fala Senhores passageiros, semana passada aconteceu de estar chovendo aqui por alguns minutos o que vai estar rendendo em um progressivo crescimento o atraso que em seu vôo vai estar sendo de dez horas e que, na verdade, deveria estar sendo de trinta e quatro horas, mas devido à chuva muitos passageiros de ontem vão estar a desistir de suas viagens e os senhores numa sorte abençoada vão poder estar embarcando nos lugares deles, estamos sabendo que os senhores, no decorrer dessas dez horas, vão estar vindo de um em um nos ficarem a estar perguntando, mostrando-se incrédulos e aliás é assim que vão dever estar sendo mesmo, pois em nossa empresa não vai mais estar havendo espaço para crentes, uma vez que eles continuariam a estar aborrecendo nossos clientes Gold, compostos de empresários satanistas, e todos vão dever estar sabendo, Deus morreu, assim falou Zaratrusta, palavra do Bigodudo e nós vamos estar sempre nos apoiando em suas palavras, tanto que as estamos mostrando gratuitamente, o livro está sobre a mesa, agora vamos repetir em portunhol e depois em inglês.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Remédios e álcool
E quando ela se foi Ela que não é nada pra mim Foi como se levasse uma parte Sim, de mim E nem era um fim Só um momento e um pedaço Um pedaço assim do coração Sem querer fazer clichê Mas foi onde surgiu a dor Que nem é bem dor Ele continua a pulsar Nem o escuto Nem escuto ninguém Mas o sinto pulsar e o desconforto Que não é dor É desconforto Porque foi como se fosse embora um pedaço Talvez nem do coração Quem sabe de um pulmão? Algo da região Do lado assim E ficou desconfortável de pulsar Que tudo desabou em meu peito Formando o sufoco Quando ela se foi.
Sim, nossa semana terá dois dias. Se eu conseguir marcar um espaço, vou falar sobre sintaxe, mas parece que não vai ter nada de alunos. Não sei a programação. Honestamente, nosso curso está todo perdido no tempo e espaço. Confirmando isso, a divulgação veio começar só agora. Aliás, ainda nem disse. Amanhã e sexta. Sim, corra. A inscrição é 1 livro usado e 1 real.
Enquanto isso, há no nosso corredor um varal literário e nele meus minicontos. Eu mandei cerca de 10, hoje colocaram 3. Unanimamente o favorito das minhas colegas é Fadas Novas. Não, não vou mostrar aqui. Vai lá ver.